quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Mamãe avisa-me que fez ontem um ano que entrei nesta casa pela primeira vez. Seis dias antes vira as minhas últimas três ou quatro casas e atingi, claramente, o meu ponto de saturação. Vi umas 8347 casas, basicamente tudo o que havia para ver nesta cidade. Gostei de algumas, detestei quase todas. Não procurávamos uma casa, mas sim A casa. Lembro-me exactamente da roupa que usava nesse dia, camisola e cachecol verdes, casaco preto com capuz de pêlo, calças de ganga justas e as minhas texanas de salto alto. Quando cheguei a casa descalcei as botas e com elas todo o meu entusiasmo.
Passados dois dias a minha irmã veio visitar esta casa. Eu tinha-me descartado dessa função, estava farta de casas, trabalhava longe, começava de noite, acabava e já era noite outra vez e o único tecto que tinha sobre a cabeça era o do carro, durante os dez minutos que levava a comer o almoço que levava de casa. Desisti completamente da cena das casas. Por esses dias vi uma garça, lá em cima, no cimo da serra. Um animal maravilhoso, deu umas voltas por ali, pousou perto das máquinas, tirei-lhe umas fotos. E comecei a sonhar com uma casa branca.
A minha irmã chegou a casa excitadíssima, fez uma planta, explicou-me qual era o quarto dela, qual era o meu, e consigo imaginar a minha cara, como num espelho, a imagem do enfado, sim, sim, pois claro... Mas ela deve ter insistido o suficiente para me arrancar do meu desânimo e lá vim espreitar a barraca. E pronto. Até hoje. É muito estranho imaginar esta casa como a vi pela primeira vez, toda branquinha e a cheirar a novo. Vejo-me como num videoclipe, a tirar medidas, a fazer limpezas, as primeiras cervejas que comprei, montada em cima dum balde virado ao contrário a lavar armários.... A minha casa. Linda. Valeu a pena.
Passados dois dias a minha irmã veio visitar esta casa. Eu tinha-me descartado dessa função, estava farta de casas, trabalhava longe, começava de noite, acabava e já era noite outra vez e o único tecto que tinha sobre a cabeça era o do carro, durante os dez minutos que levava a comer o almoço que levava de casa. Desisti completamente da cena das casas. Por esses dias vi uma garça, lá em cima, no cimo da serra. Um animal maravilhoso, deu umas voltas por ali, pousou perto das máquinas, tirei-lhe umas fotos. E comecei a sonhar com uma casa branca.
A minha irmã chegou a casa excitadíssima, fez uma planta, explicou-me qual era o quarto dela, qual era o meu, e consigo imaginar a minha cara, como num espelho, a imagem do enfado, sim, sim, pois claro... Mas ela deve ter insistido o suficiente para me arrancar do meu desânimo e lá vim espreitar a barraca. E pronto. Até hoje. É muito estranho imaginar esta casa como a vi pela primeira vez, toda branquinha e a cheirar a novo. Vejo-me como num videoclipe, a tirar medidas, a fazer limpezas, as primeiras cervejas que comprei, montada em cima dum balde virado ao contrário a lavar armários.... A minha casa. Linda. Valeu a pena.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Brincar com o poder é engraçado, mas não mais do que isso. Neste momento eu podia pedir o universo, e alguém sairia da multidão para mo entregar numa bandeja de prata. Mas porquê pedir o universo se posso ser muito mais ambiciosa? Podia dizer "larga tudo e fica comigo". Mas não o farei. Não te amo. Só te quero.
10 anos são uma eternidade (para quem espera)
Para mim pareceram 5 minutos. A minha vida está a desfazer-se em merda, mas eu sigo com um sorriso nos lábios. Como alguém faz questão de me estar constantemente a recordar, como em tudo na vida, é uma questão de opções. Estar a morrer de cansaço, mas optar por passar uma noite diferente em casa do coisinho. Música, amigos, álcool, cigarros, conversa, livros, jornais. Optar por me vir embora. Optar por vir para casa por um caminho que não faço nunca. Encontrar uma personagem saída de outra história. Optar por aceitar ir beber uma cerveja. Chegar ao bairro e já estar tudo fechado. Optar por vir beber cerveja para minha casa. Optar por me deixar ir pela primeira vez na vida. Consequência. Ser amada como nunca fui e provavelmente não voltarei a ser. Ouvir coisas que me magoam ao mesmo tempo que me fazem muito e muito feliz. Saber que alguém esperou tanto tempo por mim. Como é que pode existir um amor assim?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Uma pessoa olha para o lado durante 30 segundos e a nossa esposa pega fogo à cozinha... Coitadinha da moça, a aflição dela era genuína, mas também o eram as minhas gargalhadas. Valha-nos a minha tranquilidade asiática, fruto de 50 horas seguidas a tricotar, com breves pausas para trabalhar e 5/7 minutos de sono (a babar-me para cima do teclado). Agora que penso nisso, acabei de perder 5/7 minutos.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaa..... Ai!..... E pronto, back to simcity. "Ai"? "AI"??!! É tudo o que tens para me dizer, grande cabrão? Estava capaz de te dar um soco no meio das trombas. Ou um pontapé nos tomates. Ou então compro-te um livrinho, daqueles com bonecos, para ver se aprendes alguma coisinha. Criançola do caralho.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O Inverno custa horrores a passar. O marroquino deu-me um beijo na boca. Amanhã vou comprar uma burqa afegã. Nunca mais bebo. Nunca mais fumo. Nunca mais me deito às 5 da manhã. Estou farta de estar sozinha. Estou farta de limpar merda. Estou farta de enfiar comprimidos pelas goelas de gatos abaixo. Devia ir fazer compras. Devia comer. É tudo demasiado penoso. O que é que vai ser amanhã?
domingo, 29 de novembro de 2009
Home alone (with Pops)
Fim de semana prolongado e a casa inteirinha só pra mim. O óbvio era convidar umas 30 pessoas e fazer uma festa que durasse três dias. Não. Claro que não. Limpezas é muito mais divertido. Uau!
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Parafraseando Sílvia de Fátima, essa grande guru dos tempos modernos, eu sabia que ia ficar louca, só não sabia que era para já. Hoje imprimi um calendário com os dias que me faltam até ao fim do meu contrato. No metro achei que estava mais alta que de costume, o que não faz sentido nenhum, porque apanhei uma valente molha, o que quer dizer que devia ter encolhido e não esticado. Telefonei ao meu ex-patrão, que me deve uma pequena fortuna (pequena no sentido de que se tivesse esse dinheiro casava-me amanhã. Ou isso ou apanhava já o expresso para a Benedita) e ele disse que me ia pagar esta semana, como aliás disse de todas as vezes que eu lhe telefonei, nos últimos sete meses, sem qualquer resultado prático. Vim para casa por uma zona do meu bairro que não piso sob hipótese alguma e a única coisa que aconteceu foi que me cheirou a sabão clarim. Fui beber um copo e comecei a noite a cantar "taras e manias" e acabei a cantar "why don't you do right". E descobri que algumas estradas têm apenas um sentido.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Aqui há uns tempos conheci um homem lindo, inteligente, culto, bom conversador, artista, olhos claros, amoroso, etc. Não que me tivesse falado directamente ao coração, ou a qualquer outra parte do corpo, mas, mentalmente, enfiei-o na gaveta dos elegíveis. Da segunda vez que o vi, o meu olhar foi atraído por qualquer coisa que saía do decote da t-shirt. Entrei em pânico. Parecia um tapete. Ou uma manta. Ou um caniche morto. Depois percebi que não. Se por qualquer razão (se bem que não estou a ver bem qual) esse specimen voltar a ser mencionado neste blog, sê-lo-à apenas como tony (ramos).
terça-feira, 10 de novembro de 2009
A minha irmã é a maior trambiqueira do universo. O sonho da moça é dar O golpe. O pai de todos os golpes. O maior golpe alguma vez praticado ou por praticar. E depois zarpar para a América do Sul e viver dos rendimentos numa casa de estilo mourisco, guardada por oito segorilas treinados nos melhores cartéis da região. Em suma, um demónio com cara de anjo.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Para bom, meia.
Não. Nem por sombras. Nope. Continua a ser falso. Mais de 5 menos de 10. Tenho dias (e sobretudo noites). Loura. Sou é organizada. Nunca dei por nada. Não. Pois. Nem tanto.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Nina 2.0
O tempo está a esgotar-se. Acho que esta noite vou vestir uma camisola quentinha e vou uivar para a rua.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Cresci numa casa em que a beleza física era francamente desencorajada. Nas crianças era, quanto muito, tolerada. Mais importante era ler livros, ler jornais, informar-se, cultivar-se, viajar, conhecer pessoas novas, situações novas, discutir política e o mundo. Por isso, e pela última vez, não é falsa modéstia, and i'm not fishing for compliments, pura e simplesmente não está na minha estrutura mental, e não consigo ter de mim a imagem que pelos vistos os outros têm. Não é que seja pouco importante, simplesmente não existe. E é por isso que ouvir a gaja mais desejada e desejável da faculdade dizer such a thing é o equivalente a levar um murro nos queixos.
domingo, 25 de outubro de 2009
O Trolha
O trolha é um gajo sensível. O trolha é um poeta. O trolha cheira bem. O trolha abre frascos e percebe de canalizações. O trolha é um duro. O trolha gosta de ursinhos de goma do minipreço. O trolha não distingue azul de verde. O trolha é teimoso. O trolha tem a mania que sabe, mas só ouve a voz da razão se lhe for sussurrada ao ouvido com voz suave. O trolha responde estranhamente bem a ordens. O trolha é meiguinho. O trolha tem amigos porreiros. O trolha não gosta muito da Poppy, mas a Poppy adora os ténis do trolha. O trolha é um tesudo. O trolha é inseguro. O trolha é o que existe de mais parecido com a versão masculina da minha pessoa (apesar de a minha esposa estar sempre a dizer que eu sou a versão masculina de mim própria).
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O príncipe que afinal era um sapo...
500 chamadas não atendidas e 800 mensagens não respondidas depois, o tipo vai-me buscar à aula de dança, leva-me a jantar e embebeda-me. Dizer que estava quase em coma serve como atenuante?
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Hoje, na carruagem do metro onde eu ia, entrou o cego maluquinho, um clássico da linha azul. Um clássico, também, da porcaria entranhada. Dentro da carruagem, todas as pessoas menos uma, se desviaram ou sustiveram a respiração. Eu nem me mexi. É oficial, estou livre do meu distúrbio obsessivo-compulsivo.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Não é racional. Não é emocional. Não é desejo. É visceral. É não querer ver um acidente na estrada, e não conseguir evitar olhar. É sentir o gosto do sangue na boca quando se morde a língua. São dois comboios de alta velocidade em rota de colisão. É o que sente a leoa quando vê a presa. É morder os dedos com força até doer. É o apelo hipnótico do fogo. É avassalador. É uma vertigem. É a luxúria, em estado puro.
sábado, 17 de outubro de 2009
Ao contrário do que se possa pensar, a coisa mais gira dum casamento não é aquela amiga de infância cínica que nos pergunta com um sorriso condescendente "Então, continuas solteira?" e nós respondemos "É.", depois do namorado dela ter passado as últimas duas horas a babar para dentro do nosso decote. Não. É alguém pedir o nosso telefone à noiva, a noiva dar sem nos pedir autorização, e agora termos um stalker atrás de nós. Isso sim. Pronto, e a comida à borla.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Qual é a necessidade de ter um homem em casa se o nosso franguinho nos convida para um programa qualquer no final de um dia de trabalho? E se, como é dia de dança, e acabamos realmente extenuadas, nos faz jantar, tem vinho e põe música só para nós? Realmente não é nenhuma, não tivesse eu um lavatório entupido e um frasco que não consigo abrir (outra vez).
domingo, 11 de outubro de 2009
As Coisas Que Eu Tenho Que Ouvir ou Mitos Acerca Da Minha Pessoa
A minha vida é uma sucessão infindável de borgas e bubadeiras.
Ando sempre rodeada de homens e as mulheres detestam-me.
Não faço nenhum.
Sou uma borboleta social.
Tenho mais quilómetros de pila que Portugal de auto-estradas.
Sou uma pessoa inteligente e interessante.
Sou ruiva natural.
Tenho demasiado tempo livre porque li muitos livros.
Tenho uma vida fácilfácilfácil porque tenho mamas grandes.
Sou uma junkie porque uma vez tomei dois xanaxs com um copo de vinho.
Não sou normal.
O que eu quero é aparecer.
Ando sempre rodeada de homens e as mulheres detestam-me.
Não faço nenhum.
Sou uma borboleta social.
Tenho mais quilómetros de pila que Portugal de auto-estradas.
Sou uma pessoa inteligente e interessante.
Sou ruiva natural.
Tenho demasiado tempo livre porque li muitos livros.
Tenho uma vida fácilfácilfácil porque tenho mamas grandes.
Sou uma junkie porque uma vez tomei dois xanaxs com um copo de vinho.
Não sou normal.
O que eu quero é aparecer.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Números são coisas estranhas. Teoricamente, deveriam distribuir-se aleatoriamente de forma constante, ou seja, terem uma frequência relativa idêntica. Por exemplo. Datas de entrada de documentos. À partida, todas as datas possíveis ao longo de um ano deveriam aparecer com a mesma frequência. No entanto, o que se verifica é que há datas que se repetem constantemente e outras nunca ou muito raramente aparecem. Isto prova uma tendência qualquer do universo? Qual a possibilidade disto ser real? E qual a probabilidade de eu estar a ficar completamente xexé?
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Uma das razões por que eu gosto tanto do meu 2º emprego é que, lá, somos todos como uma família. E é assim que tem de ser, se não for não funciona. Faço o meu trabalho, tenho as minhas responsabilidades, mas há sempre alguém que toma conta de mim.
Uma das pessoas mais fantásticas é o Orlando, o nosso músico cego (such a cliché...). Quando chega vai beijar as meninas todas. Reconheceu-me depois de uns 6 meses de ausência/desencontros de turnos. E é o perfeito cavalheiro.
Uma das pessoas mais fantásticas é o Orlando, o nosso músico cego (such a cliché...). Quando chega vai beijar as meninas todas. Reconheceu-me depois de uns 6 meses de ausência/desencontros de turnos. E é o perfeito cavalheiro.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Duas ou três notazinhas acerca de
1. Desde quando é que freaks (em estado terminal) distribuem propaganda do PS? Pois. Também foi o que eu pensei.
2. Quando durmo pouco, ando o dia inteiro com frio. A minha colega aproveitou a oportunidade para me perguntar se tomo drogas duras.
3. Se calhar ia tentar dormir.
2. Quando durmo pouco, ando o dia inteiro com frio. A minha colega aproveitou a oportunidade para me perguntar se tomo drogas duras.
3. Se calhar ia tentar dormir.
Viver depressa, morrer jovem, fazer um cadáver bonito
Estou anestesiada de cansaço. Tenho demasiado sono até para dormir. Neste estado ou me dá para rir histericamente sem razão, ou me dá para ter ideias parvas. A saber. Será que uma pessoa tem o direito de morrer? De se matar, I mean. Mesmo que seja a 200 contra uma árvore. Mesmo que não seja propriamente de propósito.
Lembras-te daquele Verão em que tiveste o primeiro acidente? Alguém me telefonou e disse "Tem calma. Ainda não foi desta". Ainda? Ok, pensamentos mais felizes. Passaste esse Verão deitado na cama, perna estendida, parafusos do lado de fora da carne. Passei horas contigo, os dois estendidos na cama, a tocar viola, a escolher o teu novo carro, etc., etc., etc. Quando não estava contigo passava o tempo a ler as tuas cartas e a escrever para ti. Perdi essas cartas, tenho de tentar resgatá-las. Que escrevíamos nós um ao outro? Parvoíces de adolescentes. Onde estarão as cartas? Lembro-me também o que me disseste numa dessas tardes. "Não tenho medo de morrer". Que bom para ti!
Estragaste tudo. Bastava teres insistido um bocadinho mais. E se agora me custa, nem podes imaginar como foi aos 20 anos.
Se estivesses aqui agora, se te pudesse contar como sou eu hoje, se te pudesse dizer que acertaste, como sempre, em todas as coisas que disseste que eu ia ser. Mas como seria eu hoje se não tivesse acontecido? Quero muito acreditar que estaríamos em Nova Iorque, ou quem sabe Las Vegas, a curtir milhões e a viver aquilo para que nascemos. Assim, sou só mais uma no meio da multidão, e tu és só uma lembrança triste. O mundo mudou, o meu mundo mudou. Continuo a ser a pessoa mais incoerente do universo, continuo a confundir as palavras egoísta com invejoso, continuo a olhar para as pessoas quando falam comigo daquela maneira que só tu reparavas, continuo a gostar de andar depressa, continuo a cometer os mesmos erros vezes sem conta. Mas alguma coisa se perdeu algures, e tenho muito medo de nunca a vir a recuperar. Saber que eras a minha rede e que estavas lá de cada vez que eu caísse ajudava. Contigo dava sempre certo, tinhas a solução para tudo.
E sim, finalmente acredito que era a sério.
Amaste intensamente, viveste intensamente. Ninguém pode pedir mais nem melhor. Até prova em contrário, és o único de nós eternamente jovem.
Lembras-te daquele Verão em que tiveste o primeiro acidente? Alguém me telefonou e disse "Tem calma. Ainda não foi desta". Ainda? Ok, pensamentos mais felizes. Passaste esse Verão deitado na cama, perna estendida, parafusos do lado de fora da carne. Passei horas contigo, os dois estendidos na cama, a tocar viola, a escolher o teu novo carro, etc., etc., etc. Quando não estava contigo passava o tempo a ler as tuas cartas e a escrever para ti. Perdi essas cartas, tenho de tentar resgatá-las. Que escrevíamos nós um ao outro? Parvoíces de adolescentes. Onde estarão as cartas? Lembro-me também o que me disseste numa dessas tardes. "Não tenho medo de morrer". Que bom para ti!
Estragaste tudo. Bastava teres insistido um bocadinho mais. E se agora me custa, nem podes imaginar como foi aos 20 anos.
Se estivesses aqui agora, se te pudesse contar como sou eu hoje, se te pudesse dizer que acertaste, como sempre, em todas as coisas que disseste que eu ia ser. Mas como seria eu hoje se não tivesse acontecido? Quero muito acreditar que estaríamos em Nova Iorque, ou quem sabe Las Vegas, a curtir milhões e a viver aquilo para que nascemos. Assim, sou só mais uma no meio da multidão, e tu és só uma lembrança triste. O mundo mudou, o meu mundo mudou. Continuo a ser a pessoa mais incoerente do universo, continuo a confundir as palavras egoísta com invejoso, continuo a olhar para as pessoas quando falam comigo daquela maneira que só tu reparavas, continuo a gostar de andar depressa, continuo a cometer os mesmos erros vezes sem conta. Mas alguma coisa se perdeu algures, e tenho muito medo de nunca a vir a recuperar. Saber que eras a minha rede e que estavas lá de cada vez que eu caísse ajudava. Contigo dava sempre certo, tinhas a solução para tudo.
E sim, finalmente acredito que era a sério.
Amaste intensamente, viveste intensamente. Ninguém pode pedir mais nem melhor. Até prova em contrário, és o único de nós eternamente jovem.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Depois de muitas semanas de silêncio, o príncipe lá voltou à carga. Estava disposta a apostar o dedo mindinho do meu pé direito (e deus sabe como me faz falta) como escreve e reescreve vezes sem conta as mensagens antes de mas enviar. Não percebe a fatuidade de tal gesto. Mas eu também não o terei esclarecido devidamente. Ignorar ou dar respostas chochas não resolve. Opto por lhe dizer a verdade ("tens uma pila demasiado aborrecida para o meu gosto"), minto descaradamente ("desculpa, não és tu, sou eu. Agora gosto é de gajas"), conto a mentirinha piedosa ("és demasiado bom para mim, a sério! Não sei se já percebeste, mas sou completamente instável e desestruturada"), ou conto-lhe uma meia-verdade ("estou envolvida com outra pessoa e ele não ia gostar muito desta cena. Nem vais acreditar nisto, mas por acaso até sabes quem é, é o...")?
Claro que vou fazer o que faço sempre (e que, aliás, faço tão bem); ignoro o problema até ele se resolver por si.
Claro que vou fazer o que faço sempre (e que, aliás, faço tão bem); ignoro o problema até ele se resolver por si.
sábado, 12 de setembro de 2009
Uma frase por dia e nada mais
Querido diário:
Hoje levantei-me cedo, fui trabalhar cedo e saí cedo. Tive tempo de passar pelo jardim, tirar algumas fotos, fazer compras, vir para casa e esticar-me no sofá a brincar com a bicha e a pôr a conversa em dia com as amigas, no telefone. Alguém me ligou a dizer que estava a subir a minha rua, e se havia jantar para mais duas. Fizemos jantar, comemos e saímos para a rua. Foram aparecendo mais pessoas. Estava cansada e precisava de dormir, mas quando deixei um grupo para vir para casa encontrei mais três pessoas conhecidas, a que mais tarde se juntaram outras, que eu desconhecia. E foi então que o Universo conspirou a meu favor. Praaaaaaise the loooooord!!
Hoje levantei-me cedo, fui trabalhar cedo e saí cedo. Tive tempo de passar pelo jardim, tirar algumas fotos, fazer compras, vir para casa e esticar-me no sofá a brincar com a bicha e a pôr a conversa em dia com as amigas, no telefone. Alguém me ligou a dizer que estava a subir a minha rua, e se havia jantar para mais duas. Fizemos jantar, comemos e saímos para a rua. Foram aparecendo mais pessoas. Estava cansada e precisava de dormir, mas quando deixei um grupo para vir para casa encontrei mais três pessoas conhecidas, a que mais tarde se juntaram outras, que eu desconhecia. E foi então que o Universo conspirou a meu favor. Praaaaaaise the loooooord!!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Este é o meu poema preferido de sempre
De Paul Éluard
Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom
Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom
Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom
Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom
Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom
Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom
Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunis
J'écris ton nom
Sur le fruit coupé en deux
Dur miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom
Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom
Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom
Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom
Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.
Foi isto que senti hoje. Obrigada, querido.
Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom
Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom
Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom
Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom
Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom
Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom
Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunis
J'écris ton nom
Sur le fruit coupé en deux
Dur miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom
Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom
Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom
Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom
Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.
Foi isto que senti hoje. Obrigada, querido.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Procuro marido rico multimilionário, que me possa proporcionar férias de 365 dias por ano. De preferência com interesses no hemisfério Sul, para aí passar os aborrecidos meses do Inverno europeu. Sou uma pessoa muito séria, sou carinhosa, e possuo a maior virtude da esposa dedicada: sei sempre quando devo ficar calada.
domingo, 6 de setembro de 2009
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