domingo, 3 de abril de 2011

Venho eu para casa depois de anoitecer, para me confundir com as sombras (razões a explicar posteriormente), e tenho de levar com as putas de S. Paulo, cada uma na sua esquina, como é de lei, a ouvirem o relato da bola nas suas telefonias a pilhas. Há lá coisa mais sexy? Por acaso há, o facto de terem todas mais de sessenta anos e se terem esquecido TODAS de vestir a saia.

terça-feira, 29 de março de 2011

Para quê simplificar, quando se pode complicar?

E às vezes sinto-me tão, mas tão cansada...

sexta-feira, 25 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Quando eu trabalhava em call centers não era bem esta a formação que nos davam...

O que eu detesto: que a PT brinque com os meus sentimentos (ter mais de 200 gravações na box e ir tudo com o caralho em menos de um fósforo, só para dar um exemplo). O que eu adoro: que a PT me ande a oferecer mensalidades mês após mês para me compensar dos vários incómodos, ou nas palavras dos próprios, 'considere isto como um miminho'. Miminho??? WTF?!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Post dedicado a uma pessoa em particular, mas que pode ser usado como tutorial pela audiência em geral

Tenho uma amiga que um dia destes se dirigiu ao médico para pedir uma receita de determinado medicamento. O médico, como sabe que a minha amiga é uma pessoa despreconceituosa, perguntou se a minha amiga não se importava que fosse genérico. E genérico passou. Tão feliz se sentiu a minha amiga que nem percebeu que a receita era de uma caixa de 20 comprimidos, que isto é à vontade, mas não é à vontadinha. A minha amiga sai do médico e dirige-se, lesta e escorreita, à farmácia mais próxima. A farmacêutica diz ‘lamento, esta receita é de 20 comprimidos e só temos caixas de 60, não posso aviar’. A minha amiga amaldiçoa mentalmente o zelo da farmacêutica e a avareza do médico. ‘Se quiser posso encomendar’. A minha amiga faz um sorriso amarelo e diz que não vale a pena, que vai a outra farmácia. A minha amiga detesta pessoas zelosas, mas gananciosas. E dirige-se à segunda farmácia, já menos lesta. ‘Lamento, só tenho embalagens de 60 comprimidos. Mas se não se importar de pagar sem ser comparticipado…’. Estamos a falar de menos de dois euros (genérico), pelo que a minha amiga faz um sorriso nada amarelo e diz que sim, que não tem problema. Como a farmacêutica não vendeu a caixa receitada devolve a receita. E como Lisboa deve ter algumas centenas de farmácias e nenhuma delas tem caixas de 20 comprimidos, os grandes malandros, a minha amiga vai repetindo a brincadeira nos dias subsequentes (as receitas têm validade de 10 dias e a minha amiga quer fazer render a coisa o mais que puder). Mas como os farmacêuticos são pessoas extremamente atenciosas e prestáveis, a páginas tantas alguém lhe diz, ao devolver a receita, ‘como vai levar a receita, e esse medicamento só se pode vender com receita médica, guarde lá em casa, porque mesmo que passe o prazo, apresentando a receita vendem-lhe na mesma, ainda que sem a comparticipação’. De maneiras que a minha amiga tem uma receita virtualmente vitalícia, de um medicamento que até tem um certo valor no mercado paralelo (não perguntei à minha amiga como é que ela sabia isto). Se a minha amiga fosse uma pessoa com olho para o negócio já estaria rica, mas como não é tem SÓ um armazenamento inesgotável dos seus rebuçadinhos favoritos. A minha amiga, todos os dias antes de se deitar, faz uma pequena oração de louvor a todas as pessoas prestáveis e ingénuas deste país.
A minha esposa trava uma batalha antiga comigo. Batalha essa perdida, por muito que ela não queira reconhecê-lo. Os meus amigos são todos uns porcos, uns bêbados, uns mal-cheirosos. Mas o pior de tudo é que parece que não usam telemóvel, porque passam a vida a tocar-me à porta ou a gritar por mim da rua. Coisa que a enfurece particularmente quando eu não estou cá. 'Mas porque é que eles não telefonam, porra????'. Eu cá acho giro. E as pessoas não são obrigadas a ter saldo no telemóvel. Aqui há uns tempos foi um fulano, que ainda estou para descobrir quem foi, que achou engraçado gritar por mim, deviam ser aí umas duas da manhã de uma terça-feira. Normalmente a essa hora eu ainda estou acordada e ela já está a dormir, mas nesse dia em particular, por razões que agora não vêm ao caso, eu dormia o sono dos justos e ela trabalhava ao computador. Daí que é interrompida por alguém que me chamava em altos berros, por baixo da minha janela, não pelo meu nome, mas pelo meu apelido (o que por um lado reduz bastante as possibilidades, porque o número de pessoas que me tratam pelo apelido em vez de pelo nome não é muito elevado, mas por outro envergonha-me perante a rua inteira, porque Nina podia ser outra qualquer, mas um apelido como o meu não há muitos). Resultado: uma data de vizinhos em pijama à janela, a minha esposa mais enfurecida que nunca, eu a dormir regalada e um bêbado frustrado e possivelmente rouco. Mas perdoem-me, divago. O que queria mesmo dizer é que a minha querida esposa tem rasgos de génio. Por vezes ascende aos píncaros da iluminação. A última: 'Os teus amigos são mesmo uns estúpidos, uns boçais, uns brutos. Vêm para aí tocar à porta a qualquer hora do dia ou da noite. Já não os posso aturar. E o pior é que têm mau gosto, não têm uma noção de estilo que seja. Um destes dias era um gajo com um colete amarelo, como aqueles que usavas nas obras, a dizer censos 2011!'. MWAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Eu sou da geração à rasca, a minha gata é da geração à rasquinha....

Sim, eu sei que passei uma semana fora. Sim, eu sei que voltei para casa, larguei as malas e voltei a sair quase a seguir, para a manifestação. Sim, eu sei que a Poppy estava amuada comigo, porque esteve mais que tempos escondida no seu spot, saiu para olhar para mim como se não me conhecesse e quando a tentei agarrar para um xiiiiiiiiiiiii-coração deitou as garras para fora. Sim, eu sei que sou o ser humano mais importante e insubstituível do Universo, apesar da minha esposa tratar muito bem dela nas minhas ausências (até com muito menos displicência, devo acrescentar). Sim, eu sei que a Pops é o felino mais carente e sensível e inseguro do mundo. Sim, eu sei isso tudo. Por isso é que não era preciso cagar (QUATRO ENORMES POIAS, PORRA!) no meio da sala, just to make her point. O que vale é que vinha da manifestação insuflada de tolerância, por isso, por esta vez, vá, passa...

sábado, 12 de março de 2011

Viajei 300 km para estar aqui hoje. Tenho trabalho para entregar e para mim as horas são preciosas, os minutos são preciosos, os segundos são preciosos. Deram-me um prazo até segunda-feira à hora de almoço, mas como segunda tenho de estar a trabalhar noutro sítio, a uma hora obscena da madrugada, o prazo auto-encolheu-se para domingo à noite. E se até segunda à hora de almoço não chegava nem para metade do que tenho de fazer, domingo à noite prolongar-se-à, provavelmente, até à hora obscena da madrugada de segunda-feira, a que tenho de sair de casa. Porque se não trabalhar não ganho. Mas é exactamente por isso que vou sair para a rua, não tarda. Porque sou freelancer, porque sou trabalhadora independente, porque sou empresária de mim própria. Bullshit! Na verdade, estou-me bem a cagar para a luta, para a revolução, para a manifestação, para os ideais, para a igualdade, para a distribuição da riqueza, para o caralho. Na verdade, só queria ser rica, muito rica, mais rica que os outros todos e comprar este país, pessoas e bens incluídos. A primeira medida era atirar todos os membros do actual governo e respectivas entourages da Rocha Tarpeia. Todos menos um, obviamente. Ao nosso querido Primeiro, reservava-lhe uma sobredosagem de Viagra e obrigava-o a enrabar os seus queridos filhos, em directo em todas as televisões, ininterruptamente, durante uns dois ou três dias. Porque é exactamente isso que ele tem andado a fazer à filha do meu pai, há bem mais que um par de dias. Depois, esgotadinho, lá podia seguir os outros, penhasco abaixo. E é por isso que fiz 300 km para estar aqui hoje. Porque na verdade não nos resta fazer mais nada. Não vou ganhar o euromilhões e poder mandar as pessoas de quem não gosto para casa da mãe com a cona às costas. Não vou ter um emprego digno e que me dê estabilidade e segurança. Não vou ter nada. Vou continuar a ter mil trabalhos, sem fins de semana, férias ou feriados, apenas para ter uns trocos para sobreviver. E não me interessa se serão cem mil, ou dez mil, ou três pessoas. Para isso fiz 300 km hoje. Para estar aqui.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ar gelado, sol escaldante

Nina acaba de inaugurar a sua época balnear, de toalhinha estendida na relva à beira da piscina, bikini obsceno e sweat polar dobrado para deitar a cabeça.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A solução para todos os meus problemas

É uma dieta de engorda. À razão de uns dois quilos por dia. E traga-me mais uma fatia desse bolo, se faz favor!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Depois de vinte e três, quase vinte e quatro, anos de convivência, a minha esposa descobre hoje que sou ligeiramente estrábica do olho direito... Muito fofo. E extremamente moralizador, à véspera do meu primeiro directo on national tivi. Sempre oportuna, benzádeus... Dasse!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Se mais alguém me diz que estou 'tão magrinha!' juro que cometo uma loucura. Na via das dúvidas vão checando o Correio da Manhã.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Para toda essa gente que acha que eu sou uma princesinha de nariz empinado com tiques de diva, experimentem passar dois minutos com uma tal de apresentadora de tv de voz esganiçada, que era de um canal e agora é de outro. Com as câmaras desligadas. Para verem o que é bonito.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Podia estar noutro sítio qualquer, mas estou em Álcacer do Sal, sentada num muro, a olhar para o rio...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uma pessoa diz-me que sou a mais mulher delas todas. Que as outras são só miúdas a porem-se em bicos dos pés. Que sou fantástica, maravilhosa, que espalho magia à minha volta, que sou a pessoa por quem esperou toda a vida. Enfim, nada de novo nem especialmente empolgante. A verdade é que não estou disponível e estou feliz como estou. Se já o respeitava como pessoa, agora respeito-o ainda mais como homem, pela coragem e pela franqueza. Mas o curioso, curioso, é terem-mo dito na mesma semana em que outra pessoa, numa conversa igualmente franca, me disse 'tenho muito medo de ficar como tu', as in 'doente da cabeça'. E é isto.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ontem mandaram entregar um ramo de flores lindíssimo (e caríssimo) cá em casa. O bilhete só tinha o nome da minha esposa e vinha assinado por 'um amigo'. Hoje descobre-se que foi enviado por um actor conhecidérrimo que tem a mania que é alternativo, mas na verdade é só mesmo é gay... What's the fucking point?? Juro que não percebo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O meu barómetro está a prever sarilhos...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Podia estar noutro sítio qualquer, mas estou na Alameda, numa casa vazia, a olhar para as paredes...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Podia estar noutro sítio qualquer, mas estou na Reboleira, numa casa vazia, a olhar para as paredes...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nina, para a sua amiga fufa 'Acho que estou apaixonada por esta miúda' e mostra foto no FB. 'Tem o seu quê, tem'. 'Mas tem namorado'. 'Isso não quer dizer nada. Manda um ganda vibe lésbica. E não hetero'. Ihihihihihihihihih!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

É incrível a cultura popular que se adquire na tasca, única mulher rodeada por homens cuja média de idades deve andar nos 70 anos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Se há um monte de coisas que ainda posso vir a ser na vida, magra nunca será uma delas. Sou mais para o cavalona, dizem os ignaros, uma amazona, dizem os poetas, voluptuosa, digo eu. Por isso, é favor pararem de dizer que eu estou esquelética!!!!!!!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Toda a gente vê aquilo que eu bebo, mas ninguém SABE* a sede que eu tenho.











* Satisfeito, purista dum cabrão?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Back to basics

Hoje acordei ruiva. Muito. Medo!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Há muito tempo atrás, uma tarde de sábado, recebi uma visita surpreendente, embora não inesperada. Fazia calor e eu lembro-me que tinha vestidos apenas um top preto de alças e umas calças, também pretas, e estava descalça. O meu cabelo, sempre tão selvagem, tinha acordado estranhamente obediente e estava solto, a bater-me no rabo. Abri a porta e mandei-o entrar. Ele sentou-se no sofá, eu sentei-me no chão. Bebemos umas cervejas, fumámos uns cigarros, tocámos-nos. Ele tinha pressa, levantou-se para sair. Lembro-me da sensação de awkwardness, os dois de pé, no meio da sala, o silêncio desconfortável, as palavras de circunstância, e eu apenas a fazer o que faço melhor, a dizer tolices. Finalmente saiu, mas já na escada hesitava. Não sei o que me passou pela cabeça. Por uma vez na vida, perdendo o meu sempre tão fiel auto-controlo, puxei-o por um braço, fechei a porta atrás dele e encostei-o com força à parede. O que se passou a seguir ele o saberá, eu não tenho a certeza. Minutos, segundos? Quando caí em mim, gritei-lhe que se pusesse na rua. Foi um dos momentos mais frustrantes da minha vida, mas também, esteticamente, um dos mais perfeitos. Se fosse hoje, fazia igual, nem menos, nem mais, porque a perfeição não pode ser acrescentada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Como é que me consegui embebedar ainda antes de jantar?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

És a minha pessoinha. Não escolheria viver com mais ninguém. Mas agora mexe esse cu e vai fazer-me o jantar!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A diferença entre o fracasso e a eficácia

é VALIUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!

Nota explicativa: fracasso é inventar tangas e sair do consultório com kainever, eficácia é pedir valium e sair do consultório com valium. Tenho um gosto especial por produtos gourmet.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Nietzsche, Nietzsche, eras um porreiro, pá

E um fixe. E um optimista. E um gajo cheio de vigor e joie de vivre. Atentemos, pois, no génio e eloquência expressos nestas opiniões tão auspiciosas, para começar um novo ano:
Qual a melhor coisa que pode acontecer à humanidade?
'Era nunca ter nascido.'
Er... Então e a segunda melhor coisa que pode acontecer à humanidade?
'É morrer depressa.'
Cheers!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Hey, Jeremy, um post digno de M.P., the shrink gurl*

O meu ano de 2010 teve cinco momentos de felicidade. A cura da minha mãe. A minha tatuagem 'nothing else matters'. Os três dias de Alive. A minha fabulosa festa de Sto. António. Os grandiosos festejos em coise, em Agosto. Tudo o mais foi merda. Obrigada a quem contribuiu.

* feel free to share

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Incrível como a única coisa que pedi ao Pai Natal foi aquilo que ninguém me deu.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Hoje acordei com coros celestiais, vozes impúberes, sininhos

Na minha rua é habitual as pessoas ouvirem música em volume máximo, com as janelas abertas, no são espírito da partilha com os vizinhos. Mas, foda-se, tinha de ser música de natal?!?!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Atenção, não me interpretem mal. Eu já fui menina de discotecas. Da mesma maneira que já fui menina para ouvir Bon Jovi. E gostar. O expectável é que se aprenda com os erros.
Hoje entrei pela primeira vez em seis anos numa discoteca. Sóbria. Eu mereço o céu.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Há dias em que mil anos não cabiam. Distribui 5.000 flyers, caminhei uns doze quilómetros, encontrei uma pessoa que não via há anos a servir copos num bar, encontrei amigos que chegaram para o Natal vindos de vários pontos da Grã-Bretanha e um da Austrália, encontrei pessoas que fingi que não vi, recebi um convite para uma festa de despedida de dois amigos queridos que vão para o Canadá, fui abraçada por três miúdas vestidas de anjos que davam abraços grátis à saída do metro, ouvi um sermão, ouvi um abrolhos, ouvi conselhos, renasceram-me a esperança, uma pessoa querida recebeu um 19 no seu mestrado, estive na faculdade, entrei em mais bares em vinte minutos que num ano inteiro, trabalhei que me fartei, fiz o jantar, brinquei com a minha gata, fiz tricot, conversei com a minha esposa, e vou para a cama com uma nova alma. Quem tem amigos tem tudo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Há muitos anos, uma pessoa que eu muito estimava disse-me (sem conhecimento de causa), 'Miúda, um dia vais ser uma granda foda, mas não é para já. Primeiro vais ter de perder essas manias de princesinha, vais ter de te sujar, de rebolar na lama'. Hoje, passados mais de dez anos, não sei se sou ou não uma grande foda (homens casados há mais de cinco anos com mulheres coradinhas e com buço não constituem amostra válida), mas sei que sou uma desentupidora de canos que é uma categoria. Depois de ano e meio de tentativas mais ou menos frustradas posso hoje dizer que desentupo o malfadado cano do lavatório do wc à primeira tentativa. Com aquelas sábias palavras em mente, fiz-me à pista. Sem medos. Sem vacilos. Sem gritinhos. Sem luvas. E saquei uma bola nojenta de cabelos, uma autêntica ratazana morta, que teria praí três vezes o volume do cano onde descansava, impávida e serena, impedindo o correcto escoamento das águas. Não tive de rebolar na lama, mas apanhei com uns salpicos de um lodo pútrido, verde e malcheiroso, de aspecto radioactivo, que me furou a camisola. E pronto. Posso não ser grande foda, mas sou uma mulher realizada. Amanhã compro um desentupidor químico. Dos potentes.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Uma pessoa sai do Bairro Alto para ir passar o fim de semana à província. Chega, janta, anha um pouco no sofá e depois faz o quê? Vai sair com os amigos. Para o Bairro Alto. Uma palavra. Patético.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Do que eu precisava agora era de colinho, de jogar conversa fora e de estórias até adormecer. E de acreditar que, se calhar, amanhã até vai estar sol.
Amei muito um Homem que foi toda a vida um bruto, um boçal. Falava grosso e arrotava alto, limpava a boca à toalha de mesa, palitava os dentes com uma navalha, cuspia para o chão (dentro de casa). Uma camisola interior de alças era a sua farda oficial, tratava as coisas a pontapé e tinha a força de um gigante. Acreditava em deus, na pátria e na família, mas foi um pai ausente. Dedicou-se a uma missão, mais do que a uma profissão, e por mais do que uma vez terá levado demasiado longe o cumprimento do seu dever. Mas como as coisas nunca são a preto e branco, e as pessoas também não, foi também o mais culto dos Homens, o mais grandioso, o mais doce. Conhecia as estrelas e os nomes dos ventos, sabia de cor o canto dos pássaros e as árvores, as plantas, os rios, os países distantes, os animais exóticos. Sabia como e quando plantar ervilhas, como podar roseiras, como enxertar laranjeiras e como resolver e consertar as coisas. Sempre. O mais doce de si esteve sempre reservado para mim e para a 'menina'. Foi com ele que aprendi as primeiras letras, há mais de 25 anos, a escrever o meu nome e o nome dele. Sentada nos seus joelhos, viajei pelos países todos do mundo, com os meus dedos percorrendo o mapa que forrava a sua mesa de trabalho. Recordo como me enxugava o cabelo, secador numa mão e escova na outra, com o desvelo de uma mãe e a destreza de um coiffeur, com mil cuidados de delicadeza enquanto me desembaraçava os nós do cabelo, para não me fazer doer. Eu amarrava um cordel à presilha das suas calças e passeava-o chamando-lhe Bobi, ou então sentava-me às suas cavalitas e tapava-lhe os olhos com a minha saia. Sem um queixume. Sem uma reprimenda. Ensinou-me a dignidade e a honra. Mas esse Homem há muito que partiu, não tenho certeza para onde. Ficou apenas uma carcaça mirrada, titubeante, hesitante entre a lucidez pragmática e a loucura perigosa. Já não penso nele como o meu avô querido, mas como um José Arcádio preso para sempre à sua árvore, manietado e miserável, de onde nunca mais poderá escapar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nina não sabe se precisa de um advogado ou de um padre. Mas o seu advogado não atende e padre não conhece nenhum...

sábado, 27 de novembro de 2010

Se não me tivesse deitado às oito e meia da manhã porque passei a noite a trabalhar até achava graça

"Tu ainda tens os teus amantes, qualquer que seja o valor que lhes dás". Isto faz a minha vida parecer tão mais interessante do que realmente é...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A sério. Mais umas horas desta tortura e transformo-me numa Lisbeth Salander de carne e osso.

Estou a deprimir....

Com aquilo que estou a ser obrigada a ouvir, é bom que o Sr. Dr. em Direito me pague umas consultas de psiquiatria quando acabar de transcrever.

sábado, 20 de novembro de 2010

Já me lembro por que é que não resultou. Detesto dormir com armas dentro do quarto, sobretudo perto da minha cabeça.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Filmagens amanhã: sono de beleza ou qualquer outra coisa que faça bem à pele?

O homem do C.I. voltou. O homem do C.I. veio a Lisboa tomar conta das altas patentes e eventualmente aviar uns manifestantes incautos. O homem do C.I. devia rever as suas prioridades. Eu já não tenho 21 anos e o homem do C.I. deve andar já perto dos seus 40. Parece que o homem do C.I. acabou de meter as altas patentes na caminha e tem uma noite livre pela frente. Eu vou-me disfarçar de lolita de 21 anos e vou tentar portar-me bem mal com o homem do C.I.. Espero que o homem do C.I. tenha trazido as algemas.

Montanha ou roleta?

4ª feira - calças rasgadas, sentada no chão no meio da estrada em frente às escadas da AR, com o meu companheiro de luta, a protestar;
5ª feira - cabelos, maquilhagem, roupitxa caprichada, a gravar a novela da noite;
6ª feira - mais de 10h de audiências para transcrever, precisava de um mês, tenho uma semana, e ainda nem tenho o que preciso;
sábado - cinema português, anos oitenta, em rodagem. Medo.

Prontes, afinal é salada.

sábado, 13 de novembro de 2010

Fofinho de sorriso lindo + pessoa que esperou dez anos e que mesmo depois de vigorosamente desencorajada continua a insistir + príncipe das arábias que voltou depois da experiência brasileira ('you know you were always my first choice, baby!') + eu = torneio de sueca. É a única coisa para que me servem. Indeed.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A minha esposa, a tentar boicotar a minha vida amorosa:
- Ah, é verdade, ontem vieram aí à tua procura...
- À minha procura? Como assim?
- Sei lá, alguém tocou à porta lá em baixo, eu fui à janela, mas como não conhecia ignorei...
- E esperas vinte e quatro horas para me dizeres isso?
- Oh, os teus amigos passam a vida a tocar à porta! Tinhas ido jantar fora, que querias?
- Como é que ele era???? - a começar a espumar da boca.
- Sei lá. Moreno. Bonitão. Pareceu ter ficado de coração partido. Ele que te mandasse uma mensagem...
- ELE NÃO TEM O MEU NÚMERO!
- Ah... Pois... Não sei... Que pena....

GRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR

A sorte dela é que o fofinho acabou de entrar agora mesmo no bar do meu vizinho. Uff!
Atravessar uma cidade completamente vazia às 4 da manhã, a pé, é uma experiência magnífica. Parecia que éramos os dois únicos sobreviventes de um qualquer holocausto. Nós e os semáforos. Mas agora à luz do dia parece-me que os únicos sobreviventes são os outros todos.