terça-feira, 26 de março de 2013

O pior sítio para se engatar alguém é na cadeira do dentista. O homem está literalmente dentro da minha boca, a limpar sarro. Tártaro, chamam-lhe eles. Sarro, anyway. E nem mesmo a música mais improvável de que me lembrei e que ele tinha de facto no i-coise, e que pôs em volume máximo para tentar calar as vozes que gritavam de puro terror na minha mente lhe valeram de muito. É a total e implacável ausência de sexyness. Para a semana que vem estou lá outra vez.

sábado, 16 de março de 2013

Doença profissional: estou surda do ouvido esquerdo e tenho 87 dioptrias no olho direito. Vamos ter esperança que uma coisa compense a outra.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Passeando aleatoriamente pela blogosfera, coisa que só faço quando tenho muito vagar, e se a blogosfera for uma amostra fidedigna da humanidade em geral, partindo portanto dessa premissa, concluo que 90% da humanidade é mentecapta. Os outros 10% são os blogues que eu leio. :D
Dai-me deus paciência, em saquinhos de quilo! Se não for pedir muito, em sacas de cimento. Ia jurar que já vai para alguns três dias que não tinha problemas com electricidade, electrodomésticos, cabo, chuva dentro de casa, maçanetas que se agarram às mãos em vez de se manterem firmes nas portas, enfim, aventuras domésticas. E agora quero tomar banho. E não há água. Há pessoas que não passam sem o banho matinal, e há eu que não consigo dormir sem o meu banho quentinho, higiénico e relaxante. De maneiras que vou ali mungir umas gotinhas das torneiras e vou aquecer água para me levar por baixo. Só isto.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Eu tinha um velho. Pagava-me o café, trazia-me bolinhos e chocolatinhos e flores. Eu tinha um velho. Veio a lei das rendas e levou-mo.

sábado, 9 de março de 2013

Há coisas que me irritam. E muito. Aliás, há poucas coisas que me tirem do sério, ou sobre as quais eu fale a sério. Parece que esta é uma delas. O dia 8 de Março é provavelmente o dia do ano em que se dizem mais barbaridades aviltantes e fúteis sobre as mulheres no ano inteiro. O dia 8 de Março não serve para receber florzinhas e beijinhos e chocolatinhos e celebrar o que é ser mulher. Isso celebro eu os outros dias todos. O dia 8 de Março representa uma luta legítima e válida pela conquista da igualdade de direitos entre mulheres e homens. Porque eu já fui preterida profissionalmente. Porque eu já fui assediada. Porque eu já me senti violada. Porque eu já fui olhada com condescendência. Porque eu já fui tratada com paternalismo. Porque eu já fui enxovalhada publicamente. Por ser menos profissional? Por ser menos competente? Por ser menos capaz? Por ter menos experiência? Por me pôr a jeito? Não. Apenas porque não sou homem. Se eu quero que me tratem como um homem? Não! Quero apenas que me tratem da mesma maneira que tratariam um homem. A luta continua.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Esta é oficialmente a semana do revivalismo. Depois de uma perninha no hobby do costume e da M. me ter entregue umas newbies para tomar conta, que me atulharam de perguntas, penso que cheguei a uma lista definitiva (so far) do top-figurações. E é assim:
Mais bem paga de sempre: Maison Close (Canal Plus);
Mais cómica de sempre: ex-aequo The Emperor's New Clothes (Sky) e Querida Júlia;
Maior briga com o director de guarda-roupa de sempre: Volkswagen Polónia;
Mais cutxi de sempre: parto com recém-nascido verdadeiro;
Mais fácil de sempre: cena de piscina (30º), em 45 minutos;
Mais estranha de sempre: reconstituição de consulta de ginecologia para reportagem;
Melhor guarda-roupa e penteados de sempre: ex-aequo Maison Close, The Emperor's new clothes e Do Outro Lado do Rio;
Mais consigo enganar os meus amigos se postar agora uma foto no fb de sempre: Maternidade.
Mais despachestamerdamazéqueuqueromirjuntaràmanifdaCGTP de sempre: Volkswagen Polónia;
Melhor catering de sempre: L'Odyssée (Arte);
Mais bonding com o chefe de sempre: Querida Júlia;
Mais the star is me de sempre: Banco Alimentar Contra a Fome;
Mais largamedamãobrasileiroestúpidoquejámetásabuliercosnervos de sempre: Laços de Sangue;
Mais fria e desconfortável e com saltos altos de vinte centímetros e consequentes dores excruciantes nos pés e frio em tudo o resto de sempre: Dancing Days (Parque Eduardo VII by night)
Mais fora de sempre: Do Outro Lado do Rio;
Pior de sempre: Absolut Alemanha;
Favorita de sempre do mundo e da Hespanha: L'Odyssée (Arte).

Todas as outras foram coisinho. E dos coisinhos não reza a História.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A propósito de coisas que descaem, tiro a seguinte conclusão. Deus não dorme.
Alerta! Zona de desastres com cabelos. Argh...

terça-feira, 5 de março de 2013

Apesar do frio horrível, do calor horrível, das carraças horríveis, do pó horrível, das horríveis horas de espera, das intermináveis sessões de caracterização, dos banhos sem fim que se tinham de tomar para tirar a porcaria da maquilhagem bronzeado-tropical, das horas pornográficas a que tinha de me levantar, das indecentes horas e horas de trabalho seguidas, tenho saudades de ser uma escrava no século VIII a.C..

sexta-feira, 1 de março de 2013

O que eu adoro o costume tão português de lavar sacos de plástico e pô-los a enxugar na corda da roupa. Ora vejamos. São sacos de plástico. Se estão sujos vão para dentro do balde do lixo. Se estão limpos vão forrar o balde do lixo. Txaraaaaaaan!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Eu tinha uma vida boa. Trabalhava para o Privado, trabalhava muito, ganhava bem, o trabalho era interessante, dinâmico, challenging, tinha carro de serviço à porta. Às vezes ao fim de semana ia passear de carro, às contas do patrão (mas ele merecia). Depois passei para o Público. Ganhava menos, mas também trabalhava muito menos horas, o trabalho era interessante, mas mais mecânico e repetitivo, sem margens para improvisos, mas gostava das pessoas. E o tempo que me sobrava, gastava-o em palermices. Depois tornei-me empresária. Tenho muito trabalho e ganho muito. Não durmo mais de três horas por noite, não como, não bebo, não me levanto da frente do computador, não saio, e penso que faleço. Não tenho trabalho nenhum e não ganho, sobra-me o tempo para tudo e para nada, e penso que faleço. Tenho trabalho para a caridade, pratico preços de 1964 (e ainda me sinto culpada) e penso que faleço. Em suma: volto ao Privado, ao Público, ou faleço? 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Um dia, quando deixar de escrever profissionalmente, vou-me dedicar mais ao blogue. Amanhã não vai ser esse dia.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Se forem comprar óculos e vos derem a escolher ente anti-riscos e anti-quebra, pensem bem qual é a probabilidade real de os deixarem cair pela janela. Escolhi mal.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Uma vez saí de casa com uns chinelos (padrão tigre) e partiram-se. Meti-os no lixo e tive de voltar para casa descalça. Certa noite uma outra barmaid tinha partido uma prateleira e uma garrafa de whiskey e uns 30 copos e tinha-me cortado um pé. Os chinelos tinham ficado empapados de sangue. Eram uns chinelos de estimação.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Saudades de me pedires para meter a mudança enquanto acendes mais um cigarro.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E o Mundo não acabou. Lá tive de ir comprar as prendas de Natal.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quatro quilos. Ena! Vamos lá tentar outra vez, agora sem drogas. Três dias, menos dois quilos. Puf. Este cu e estas mamas estão bem catitas, não estavam? Chuif.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Provavelmente estou só com o modo lamechas on, mas a verdade atingiu-me agorinha mesmo como uma wrecking ball. Nunca vou encontrar outro homem como ele.

sábado, 24 de novembro de 2012

Em pouco mais de meia hora na sala de espera de um hospital público, creio que contraí a doença do sono, gonorreia, peste bubónica e homossexualidade.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A inconfessável felicidade de uma boa infelicidade.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Não te esqueças de mim, Nina. Nunca te esqueças de mim, por favor!
Eu nunca me esqueço.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Eu não é por nada, mas dá-me ideias que os homens preferem ver dois centímetros de barriga dentro de um bar do que umas tetas ao léu na praia.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma mão morena que me enfia na boca uma guloseima tirada à socapa de uma qualquer banca do souk.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A solidariedade explicada às crianças

O senhor do café emprestar-me um euro. Um café custa 70 cents.

A crise explicada às crianças

A uma segunda-feira não haver um cêntimo numa puta dum atm do Bairro Alto, Príncipe Real ou Camões.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tenho tanta coisa para dizer que só me sai isto: jhasfkghasfdahskfjhaskdjfhaksjhgjsnbdgv,dnvknskldjfslkdsdlghslkhglkglkhkdsklghslkjgkljgkljsakgashgkldhgkxdhgklashgklshdkghsdalghklasdhgkldshgklsadhgkldshgklashdgksdhgklsahglkshgklsadhgklshgksadhglsahgslkdghkdxghlsahglkhsjlgahlkshgklsahgklhszdklgjklszvnkznvjdzxbhvjkzsdhgjkhd. 
Obrigada e boa tarde.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Penso em ti uma vez por dia, vá. Mil e quinhentos quilómetros ajudam.

domingo, 9 de setembro de 2012

O caminho para o Paraíso

Levantar cedo. Caminhada: 40 min. Comboio: 30 min. Autocarro: 15 min. Caminhada: 30 min. O mê amor. Campo. Cães e gatos. Franceses. Marrocos. Cal. Alfarroba. Acartar água. Amar. Sesta na rede. Fotografias. Bolos. Velhos. Pés descalços. Sol. Sombra. Pêssegos. Bicicleta: 30 minutos. Correr para apanhar o comboio. Comboio: 30 min. Fim.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Eu posso ter uma lógica um bocado parva. Mas é lógica. E sou pragmática. E detesto crianças. Pronto, detesto aquelas crianças cujos progenitores deviam ter sido esterilizados antes da puberdade. 'Importas-te de ir mergulhar um bocadinho mais para longe, amorzinho? É que estás a molhar-me...'. É claro que a peste está a fazer de propósito, mas eu finjo que não percebo. Aproxima-se uma mãe a escorrer azeite, histriónica, 'quem manda no meu filho sou eu, blablabla, se está na beira da piscina, blablabla, leva com salpicos, blablabla'. Só para confirmar pergunto à maezinha se está ela própria à beira da piscina. Que sim. Se está sequinha. Que sim. Se está quente do sol. Que sim. Só mesmo para confirmar. Mergulho espalhafatoso. Sorriso triunfante ao ver toda a parte da frente da azeiteira a pingar, com o rímel a escorrer cara abaixo. Parece que é lógico. Para quem está à beira de uma piscina. Lógico.
A estranha sensação de que moveram o meu mundo coisa aí de uns vinte metros para o lado. Mas por mim tudo bem.

sábado, 25 de agosto de 2012

Nina Jackass

Atravessar a cidade. Às quatro da manhã. Sozinha. À chuva. Com um gato ao colo. Estúpido. Demasiado estúpido.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um mês e dois dias depois, e porque hoje levei duas chapadas bem dadas e mais que merecidas, queria só dizer em minha defesa que se a tua família é totalmente italiana, a minha é totalmente escandinava. E um grande otário continua a ser um grande otário. Mas prometo que amanhã enterro o machado de guerra e tento entrar em conversações. Pacíficas. Porque não deixas de ter razão. E porque sessenta anos de otarice sempre devem dar mais direitos que trinta de palermice. Last call. Último sapo. Se não der, que se foda. Mas o teu amor obriga-me a fazer promessas destas. Afinal quem é o otário/a?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Norma Jeane, Norma Jeane, se não tivesses morrido aos 36 anos com uma OD de 45 comprimidos de Nembutal, tinhas morrido aos 50 com um cancro do fígado. Acredita no que te digo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quem nunca lavou os pés num lava-loiças que atire a primeira pedra.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Estou quatro ou cinco dias sem ver televisão e o que é que eu perdi? O que é que se passou no país e no mundo? Diz-me a minha esposa que um tarado qualquer jogou um balde de álcool para dentro de um elevador onde estavam três pessoas e lhes puxou fogo. Parece que foi só. Ou isto é a silly season ou a minha esposa é muito selectiva com as notícias.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Raixpartamobloggermaizotelemóvel

Depois de uma longa bulha pela aparente (mas recém adquirida) incompatibilidade entre o meu telemóvel querido e o meu bló fofinho, acabei de me aperceber que posso mandar publicar postas através do e-mail. Não que seja muito relevante. Porque não tenho nada para dizer. Mas durmo muiiiiito mais descansada.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O que eu adoro que me mandem recadinhos por pessoas de lágrima fácil. Diz que anda muito triste. Rainha do drama...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

When you're a kid

Quando somos miúdos há uma data de coisas que nos estão interditas. Tipo piadas, públicas e privadas, e histórias e coisas parvas em geral. Depois passado um tempo contam-nos e não percebemos muito bem qual era a grande graça, ou porque realmente não tem nenhuma, ou porque achámos que era a estrada de Damasco e afinal era a estrada para o Cacém. Ou então somos paranóicos e ficamos com a sensação que nos estão a enrolar e que não nos querem contar a verdade toda. É o tipo de coisa no nível do inconsciente, que não dá para apagar e colar por cima. No caso da minha irmã era o singelo 'tem grelinhos, tem grelinhos, tem grelinhos no quintal, etc.'. Vá-se lá saber porquê, meteu na cabeça que era uma ordinarice qualquer (se calhar porque não conseguíamos cantar isto sem nos rirmos como o caraças, mas era só porque era realmente uma parvoíce do caralho) e ainda hoje se alguém cantarola a musiqueta dos grelinhos ela fica claramente incomodada, embora a nível consciente saiba que não tem nenhum truque, nem mensagem subliminar, nem ordinarice. É mesmo só uma parvoíce do caralho. Freud explicará. No meu caso foi a mais que célebre história da carcacinha. Uma história tão estúpida, mas tão estúpida, que nem me vou dar ao trabalho de reproduzir. Mas de cada vez que alguém dizia 'isso é como a história da carcacinha' eu percebia (ou achava que percebia) uma certa troca de olhares e ficava com a sensação desconfortável de que havia qualquer coisa com a carcacinha. De maneiras que um dia me contaram a história da carcacinha e ou ma contaram muito mal, ou se tinham esquecido de como era realmente a história e tiveram de inventar à pressa, ou então enrolaram-me e não me quiseram contar a verdade toda. O que é certo é que hoje sou uma pessoa adulta e sei perfeitamente onde fica o Cacém.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Omar Khayyam podia ser um bêbado, mas pelo menos era um génio

És um hipócrita de merda e um egoísta. És o grão de areia na minha engrenagem. A pedra no meu sapato. Que a minha boca se encha de terra e o meu corpo seque e mirre se alguma vez negar as tuas qualidades. Mas a verdade é que és um grande Otário.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Tenho como regra nunca ser grosseira, a não ser quando é de propósito.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Os melhores momentos que passámos juntos? Não me lembro de nenhuns... Talvez qualquer coisa com espuma. So long caracóis!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma vez decidi tornar-me sem-abrigo. Pronto, na verdade, era miúda e fugi de casa. Pronto, na verdade, tinha 31 anos. Pronto, na verdade, fui expulsa. Voltei ao fim de vinte minutos. Tinha xixi.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Que levo daqui meia dúzia de histórias para contar, lá isso levo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Não sou propriamente famosa pela minha força de vontade. Mas juro que me esforço.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Às vezes, numa verdadeira demonstração de onanismo intelectual, vou ler os meus posts para trás. E acabo por constatar sempre o mesmo.

sábado, 30 de junho de 2012

A minha vida como taberneira #2

A gaja loura (e linda) que entra pelo balcão e me agarra como se não houvesse amanhã. Sair para a rua para me poder rir à vontade e o gajo que se atraca a mim. A americana que se atraca ao gajo, numa demonstração patética de 'quem é que manda aqui' (soubesse ela que a tratamos carinhosamente por 'a gorda'...). A gorjeta de quarenta e três euros. Pumba!

sábado, 23 de junho de 2012

A minha vida como taberneira

Gosto de sorrisos. Gosto de pessoas simpáticas. Gosto de 'por favor' e 'obrigado'. Gosto de bons colegas. Gosto de gorjetas. Não gosto de parvos. Não gosto de convites. Não gosto que me olhem para as mamas enquanto me pedem um mojito. Não gosto que me convidem para cheirar e que façam riscos no meu balcão. Não gosto da decadência. Não gosto de colegas armados em espertos.

sábado, 2 de junho de 2012

- Olá. Onde é que andas?
- Estou no século VIII a.C. a fazer o trabalho sujo da Penélope. E tu?
- Estou no 25 de Novembro de 75.
- Vamos pós copos logo à noite?
- Ok. Combinado.

Podia ser verdade, mas é ficção.